A poesia do pensamento e prosa da ação

abril 27, 2010 at 11:18 am Deixe um comentário

Uma multidão não é uma massa de pessoas. Uma massa é homogênea: ainda que possa mudar de forma tem uma liga que dificulta a identificação dos indivíduos.

O conceito de multidão tem sido bastante evocado nos discursos dessa nossa pós-modernidade, nosso século que já nasceu pós-,

Bem à moda veloz da nossa hiperinformação hipoesforçada, “dei um google” na multidão pra ver no que dava. E eis que o primeiríssimo resultado na lista é um artigo, na verdade uma entrevista, com dois teóricos da multidão: Michael Hardt e Antonio Negri.
Para as nossas poéticas aqui, as primeiras linhas do texto já são interessantes.

Império, de Michael Hardt e Antonio Negri,um dos mais influentes e controvertidos livros acadêmicos de nosso jovem século, termina com a grande visão utópica da “multidão contra o Império”: o poder constituinte das massas desejantes contra a nova forma de soberania global sendo forjada sob nossos próprios olhos. Mas algumas questões ficaram deliberadamente por responder: de que maneira a multidão constituirá a si mesma como sujeito político? “Não temos quaisquer modelos a oferecer para esse acontecimento”.[1] Como eles próprios dizem noutra entrevista concedida a nós[2]: “Uma das maiores autocríticas de nosso livro é que o conceito de multidão permaneceu muito indefinido, poético demais. Isso se deve em parte ao nosso foco principal sobre o Império e a dimensão requerida pela análise de sua natureza e suas estruturas. Seja como for, a multidão é o foco de nosso trabalho atual e esperamos ser capazes de desenvolver o conceito mais plenamente no futuro”. Seu novo livro,Multidão, assume o desafio de desenvolver o outro lado da “multidão contra o Império”, trazendo o conceito de multidão “da poesia da imaginação para a prosa do pensamento”[3].

[1] Michael Hardt e Antonio Negri. Empire,Cambridge:Harvard,p.41. [Há edição brasileira:Império,Rio de Janeiro,Record,2005,7ed.]

[2] “The Global Coliseum:on Empire”,Cultural Studies, 16 — 2, março de 2002,177-192.

[3] G.W.F.Hegel.Lectures on Fine Art, vol.1.Oxford:Clarendon,1975,p.89.

(Os negritos e sublinhados são nossos – meus e seus).

Sem-querer/querendo apostamos na poética da imaginação transformada em ação para alimentar a prosa do pensamento – a ser transformado em ação poética imaginativa, criativa e assim sucessivamente até….

Este espaço do blog é para isso. Reflexões em prosa-poética por parte dos indivíduos agentes. Transfusão poética para ativar a circulação de uma massa desejante, em vez da velha fabricação de desejos em massa.

Sejam bem vindas as multidões de poetas da ação!

postado por Pedro Filho Amorim

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Laban e multidão

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