A poesia do pensamento e prosa da ação

Uma multidão não é uma massa de pessoas. Uma massa é homogênea: ainda que possa mudar de forma tem uma liga que dificulta a identificação dos indivíduos.

O conceito de multidão tem sido bastante evocado nos discursos dessa nossa pós-modernidade, nosso século que já nasceu pós-,

Bem à moda veloz da nossa hiperinformação hipoesforçada, “dei um google” na multidão pra ver no que dava. E eis que o primeiríssimo resultado na lista é um artigo, na verdade uma entrevista, com dois teóricos da multidão: Michael Hardt e Antonio Negri.
Para as nossas poéticas aqui, as primeiras linhas do texto já são interessantes.

Império, de Michael Hardt e Antonio Negri,um dos mais influentes e controvertidos livros acadêmicos de nosso jovem século, termina com a grande visão utópica da “multidão contra o Império”: o poder constituinte das massas desejantes contra a nova forma de soberania global sendo forjada sob nossos próprios olhos. Mas algumas questões ficaram deliberadamente por responder: de que maneira a multidão constituirá a si mesma como sujeito político? “Não temos quaisquer modelos a oferecer para esse acontecimento”.[1] Como eles próprios dizem noutra entrevista concedida a nós[2]: “Uma das maiores autocríticas de nosso livro é que o conceito de multidão permaneceu muito indefinido, poético demais. Isso se deve em parte ao nosso foco principal sobre o Império e a dimensão requerida pela análise de sua natureza e suas estruturas. Seja como for, a multidão é o foco de nosso trabalho atual e esperamos ser capazes de desenvolver o conceito mais plenamente no futuro”. Seu novo livro,Multidão, assume o desafio de desenvolver o outro lado da “multidão contra o Império”, trazendo o conceito de multidão “da poesia da imaginação para a prosa do pensamento”[3].

[1] Michael Hardt e Antonio Negri. Empire,Cambridge:Harvard,p.41. [Há edição brasileira:Império,Rio de Janeiro,Record,2005,7ed.]

[2] “The Global Coliseum:on Empire”,Cultural Studies, 16 — 2, março de 2002,177-192.

[3] G.W.F.Hegel.Lectures on Fine Art, vol.1.Oxford:Clarendon,1975,p.89.

(Os negritos e sublinhados são nossos – meus e seus).

Sem-querer/querendo apostamos na poética da imaginação transformada em ação para alimentar a prosa do pensamento – a ser transformado em ação poética imaginativa, criativa e assim sucessivamente até….

Este espaço do blog é para isso. Reflexões em prosa-poética por parte dos indivíduos agentes. Transfusão poética para ativar a circulação de uma massa desejante, em vez da velha fabricação de desejos em massa.

Sejam bem vindas as multidões de poetas da ação!

postado por Pedro Filho Amorim

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abril 27, 2010 at 11:18 am Deixe um comentário

Laban e multidão

14 – Temas relacionados com o despertar da sensação de grupo

Muitos bailarinos sem uma formação de grupo definida podem deslocar-se como um só corpo. A princípio, perceber-se-á com maior força ao levantar-se ou mergulhar em um conjunto ou precipitar-se de maneira combinada, amontoando-se ao redor de um grupo central e em evoluções parecidas

O contraste consiste nos movimentos individuais realizados numa multidão. O mesmo esforço pode ser realizado pelos indivíduos, mas movendo-se cada um em direções de sua própria escolha. Os diversos esforços que cada um realiza por escolha própria em diferentes direções ou segundo figuras pessoalmente escolhidas conduzem a agrupamentos que se devem manter durante um breve espaço de tempo numa posição definida. A repetição exata destas improvisações grupais enriquece a imaginação e fortalece a memória do movimento.

A observação de um grupo por outro é útil para o desenvolvimento de uma sensação de plasticidade no movimento grupal e para o discernimento consciente da coordenação do grupo.

Um grupo de bailarinos pode responder aos movimentos de outro grupo. A repetição desses movimentos opostos, enquanto se mantenham as proporções espaciais e as distâncias exatas entre os indivíduos, favorece a adaptação sensitiva aos movimentos dos demais e constitui uma excelente preparação para a realização de danças com sensibilidade grupal.

15 – Temas relacionados com as formações grupais

As formações grupais mais simples – fila e círculo – podem sofrer variações. Uma fila pode se alongar ou se encurtar toda vez que a distância entre os indivíduos aumenta ou diminui. A princípio, os indivíduos deverão realizar juntos os mesmos movimentos, salvo os passos que deverão diferir em extensão e número quando levem à mudança de uma formação.

Uma fila pode encolher-se em uma de suas extermidades ou no centro. Da mesma forma, pode crescer de um extremo a outro ou desde o centro até os dois extremos.

O encolhimento ou a ampliação de um círculo pode efetuar-se ao redor do centro ou até um ponto em seu interior.

Os movimentos e os ritmos que produzem ou acompanham as mudanças têm uma variedade quase infinita.

Uma fila pode correr em linha reta ou curva ou converter-se num círculo, assim como um círculo pode se abrir para formar uma fila.

Pode-se introduzir como variantes os desenhos angulares no solo. Pode-se conseguir qualquer formação que se queira mediante um conjunto preciso de passos e movimentos realizados com diferentes esforços.

Os grupos podem se mover em diferentes níveis, alguns sentados, outros ajoelhados e outros parados. Os agrupamentos podem ser simétricos ou assimétricos.

O trabalho em massa ou de formação pode se alterar em danças e estudos de movimento mais complexos.

Em: LABAN, Rudolf. Dança Educativa Moderna. (trad.) Maria da Conceição Parayba Campos. São Paulo: Ícone, 1990, pp. 46-47.

Selecionado por: Duto Santana

abril 27, 2010 at 10:29 am Deixe um comentário


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