Catar lixo

Artista responsável: Duto Santana

Primeiro dia de Oficina – Novas rotas em participação; Sustentação do estado performático proposto; Outros entendimentos, novas pessoas na arte.

Fiquei especialmente feliz e agradecido pelas 19 + 3 pessoas que apareceram hoje, no primeiro dia de oficina. Considerando que todas as ações, até então, vinham sendo em espaços cujos trajetos são mais tranquilos, essa galera chegou em Brotas, no Cine-teatro Solar Boa Vista, o qual tem nos acolhido e foi tanto a parceria que propiciou a emergência do Coletivo, bem como tem criado situações de oxigenação do nosso trabalho. Muitas pessoas dizendo que nunca tinham ido a esse teatro, não conheciam nem como chegar na Boa Vista de Brotas. Vamos construindo novos mapas da cidade para as próprias pessoas; mapas potencialmente de participação e interesses que podem se multiplicar, afinal é um Centro Cultural e são novos artistas.

Depois da experiência na ação “Pingos e Pigmentos”, fiquei muito preocupado em relação às desconexões recorrentes da gente, enquanto performer, e o quanto isso gerou dispersões na ação, tanto no sentido de perder o estado performático proposto, quanto gerando disperses espaciais, as quais também contribuíram para momentos desinteressantes na ação.

Hoje, fiquei me ocupando de produzir experiências capazes de construir essa corporalidade conectada, seguida de conversa a refletir sobre:

1. quando desaparece (o estado performático) o que aparece no lugar? Conversas, brincadeiras, dispersão, foram algumas das respostas que parecem bem consistentes.
2. como sustentar/suportar o estado performático no tempo – durabilidade?
3. a importância de produzir restrições claras e que façam sentido para evitar dispersão, sobretudo espacial, o que tende a esvaziar a força de poética de multidão – a visão periférica e o sentido de cuidador foram alguns experimentos.

Estou bastante feliz com a quantidade de estudantes de arte (principalmente dança) que tem aparecido e com muito investimento pessoal. O fato de lidarmos com uma corporalidade em performance e com o espaço urbano e a proximidade das pessoas, reposicionam os lugares tradicionais da dança enquanto coreografia, do espaço cênico enquanto palco e dos fruidores enquanto plateia cindida. Nos encontramos com as possibilidades de nos apresentarmos enquanto pessoa numa ação poética (por isso construída), na proximidade das pessoas inseridas em seus contextos de convivência. E essa gente toda, participantes do Poéticas de Multidão, tem visto isso como arte, como ser artista.

Coisas de um artista educador. World is actually changing!

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3 Comentários Add your own

  • 1. Soiane Lewáketù  |  maio 13, 2010 às 10:08 pm

    E O LIXO??????????

    Responder
    • 2. Duto Santana  |  maio 13, 2010 às 11:18 pm

      Fiquei com essa pergunta desde o primeiro dia que te ouvi, Soyane.

      A imagem do 2 de julho (bairro), aqueles acúmulos de sujeira, emporcalhamento. E as pessoas vivem e convivem ali. O lixo é feito por elas, lançado por elas e co-habitam o espaço delas. Cultura do Lixo. Lixo na Cultura.

      Se são as pessoas que sujam a travessa, antes destas, são as pessoas que são sujas.

      Como limpar as pessoas?

      Coreografando pessoas?

      ???

      Responder
  • 3. Soiane Lewáketù  |  maio 15, 2010 às 1:34 am

    como limpar as pessoas!?!? boa pergunta!!!
    coreografando pessoas!?!? boa resposta!!!!

    Acho que é isso que fazemos: coreografamos a realidade simplesmente por existirmos e nos movimentarmos na existência… não é?
    E o que fica quando sai? quando saímos (da proposta…)? Fica o vazio, que está cheio de tudo.

    Interessante fazer esta ação, porque sou muito atenta ao lixo, sempre tive vontade de catar, de meter a mão, de dar destino aos lixos alheios (que acabam sendo forçadamente de todo mundo), sempre olho para as lixeiras observando o que foi descartado, já levei muita coisa do lixo pra casa: estante, armário, pé de mesa, carranca, cabideiro… e há 20 dias atrás, fiz mudança, e joguei muita coisa de minha casa no lixo, que foi absorvido por pesoas que nem sei… É o eterno movimento de tudo o que existe…

    nós transformamos a realidade, nós construímos a história, nós arranjamos problemas, nós resolvemos os problemas, nós produzimos matéria, nós descartamos matéria, nós abandonamos nossas produções, nós absorvemos as produções alheias, nós nos movimentamos na face da terra e transformamos a realidade, somos responsáveis por esse movimento… nós construímos a novela da desgraça!

    Psiu… tô entrando em colapso… deve ser o sol forte. Vou abrir meu guarda-chuva (fucsia) para passar o calor e pigmentar meu ânimo… mas ainda assim sinto um incômodo… já sei! É o lixo!!!! que está bem debaixo dos meu pés… vou catar pra ver se passa… (continua…)

    FUI…

    Responder

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