Co-Lapso

Artista responsável: Líria Morays

IDÉIA

Evolução da ação – performers espalhados pelo espaço de algum lugar público, andando como os transeuntes; num dado momento, um dos performers ameaça um desmaio e cinco outros performers se agrupam amontoando performers (cinco artistas); três minutos depois outro performer simula um estado de passar mal e desmaiar em outro ponto desse mesmo lugar e os procedimentos se repetem; essa cena se repete em vários pontos desse espaço público num intervalo mínimo de tempo, de maneira que não tenha intervalo entre um desmaio e outro até formar vários grupos de 5 (quatro ou cinco grupos de cinco performers) repetindo essa dinâmica em pontos diferentes desse espaço. Coreografando pequenas multidões e reverberando reações a agrupamentos e estados inusitados…

Local escolhido – ponto embaixo do elevador Lacerda.

Dois dias de oficina.

REALIZAÇÃO

Realização do passar mal ou cair repentinamente no chão…

Essa ação foi construída juntamente com os performers, pois tinha um caráter aéreo e coreográfico que, enquanto um performer cogitava um estado de passar mal e cair, outros seguravam… ao longo das conversas nas oficinas e da realização da própria ação na rua, os efeitos e idéias foram se modificando de maneira que tenho a sensação de ter realizado muitas coisas diferentes em pequenos intervalos de tempo.

ORGANIZAÇÃO

No primeiro dia de encontro, na quinta-feira, conversamos sobre uma situação em que alguém passa mal na rua e o que pode vir a acontecer, e, durante as experimentações, treinamos cair… de diversas formas – escorregando no outro, cair até o limite em que o outro segure, cair a três, a dois… saímos para o passeio público e experimentamos e discutimos sobre uma maneira de ocupar um determinado espaço antes de fazer de fato a ação…

Havia no desejo de cada um a curiosidade e a vontade de saber a reação das pessoas. Não fazia sentido imaginar apenas como seria e, confesso que naquela tarde senti um certo vazio… várias possibilidades estavam abertas e já não se tratava apenas de um passar mal, pois estaríamos diante de um espaço desconhecido numa ação complexa que poderia ser uma simulação real de um estado (passar mal) ou, apenas uma queda inesperada de um corpo no meio da multidão… o sentido seria criado pelas pessoas ao redor. Não dormi direito pensando nisso tudo e pensando nos performers, no espaço do elevador… enfim!!! Combinamos então no outro dia, todo mundo de branco ou com alguma peça branca – razão da sexta-feira – teríamos oficina na Escola de Dança da Funceb e depois iríamos para o Elevador Lacerda.

Na sexta-feira, vieram Pedro e Leo companheiros de viagem desse projeto mais o fotógrafo Paulo, Luis e Marcelo da produção e Gabriel para filmar a ação. Paulo estava no meio da roda entre os performers registrando cada detalhe… o dia parecia mais alegre e favorável para o risco de cair na rua… Fizemos vários exercícios de olhar, aguçar a visão periférica, perceber o outro… dividimo-nos em três grupos e decidimos que cada grupo agiria em um lugar diferente do espaço embaixo do elevador Lacerda… saímos em aglomerados tomamos coca-cola, água e descemos… um grupo ficaria em frente ao mercado modelo, o outro no ponto do elevador e o outro entre as primeiras barracas em frente o elevador. Alguém do primeiro grupo passaria mal, um tempo depois alguém do segundo e sucessivamente do terceiro grupo até que o ritmo fosse acelerando e todos começassem a cair em intervalos de tempos pequenos. No final, cairíamos na faixa de pedestres todos ao mesmo tempo enquanto o sinal estivesse fechado e repetiríamos a ação na fila do elevador.

RESULTADO

Começamos com a divisão… porém houve o impacto do espaço – muuuuuuuuuita informação, muito grande, Gabriel teve dificuldades de capturar a imagem de maneira discreta… resolvemos que nos concentraríamos no ponto pois já era muito grande… até aí alguns ambulantes já percebiam que algo estava acontecendo… durante os primeiros (passar mal) as pessoas do ponto ajudam muito, puxam cadeira, oferecem água, abanam e se preocupam… a primeira aceleração de rítmo não funcionou muito, saturamos o espaço do ponto e nos reunimos em frente ao mercado modelo para uma primeira avaliação.

Resolvemos então ir para outro ponto de ônibus um pouco mais distante e combinamos que aos poucos aceleraríamos o ritmo e Gabriel capturou as imagens do outro lado da rua… nesse ponto houve uma aceleração, porém as pessoas percebiam que era algo estranho e absurdo… alguns perguntavam se era uma campanha, outros ficavam apreensivos, outros riam… Leo caiu no meio da rua entre os carros e algumas quedas começaram a aparecer enquanto queda por si só sem que ninguem segurasse. Saturamos esse ponto fizemos outra reunião em frente ao mercado modelo e decidimos experimentar quedas individuais em intervalos rápidos de tempo… aí já não era exatamente passar mal, mas o impacto da queda no chão que imediatamente se recupera como se nada tivesse acontecido.  Fomos então para o ponto do Terminal da França e caímos sozinhos… aparece uma configuração coreográfica nesse instante e, um impacto grande entre as pessoas de não conseguir identificar o que está acontecendo. Leo cai no meio da rua parando um carro e eu experimento também cair na rua… Gabriel captura com mais tranqüilidade essa passagem… tenho a sensação de que essa ação é mais limpa que as anteriores…

Voltamos pra uma nova reunião em frente ao elevador e dividimos em dois grupos para atravessar a sinaleira e cair na faixa de pedestres. Atravessamos a rua junto com uma multidão de transeuntes e caímos… éramos 18 pessoas mais ou menos… foi MARAVILHOSO CAIR NA SINALEIRA… o sentido estava nesse lugar inusitado uma ação simples que arrebata as pessoas no seu cotidiano… ficamos todos contentes nesse momento e, quando todos já tinham pago a passagem do elevador, Gabriel pediu pra filmar novamente… rsrsrsrs então voltamos todos e repetimos na sinaleira… hahahaha saí de alma lavada dessa última fase da ação… já eram quase 18hs e fomos para a escola para comentar como tinha sido…

Muitos comentários surgiram… um deles que não muito positivo foi sobre o planejamento prévio da ação e como isso prejudicava a ação de registro da ação, sem interferir na reação das pessoas ao redor… outro era sobre o quê mesmo se tratava a ação… era passar mal ou cair??? Acho que essa ação era um sopro no ar… ela mesma foi se construindo… há uma diferença muito grande em estar fora do espaço e está descobrindo o espaço coletivamente… e lidar com uma lógica híbrida que é ao mesmo tempo coreográfica e performática é difícil… no final das contas, as sensações e idéias dessa ação variaram muito em intervalos de tempo de uma tarde… em cada espaço algo foi potencializado… acho que ela pode mudar de nome, pois caímos em híbridos sentidos, inventamos quedas em contextos diferentes…

Os performers foram se empolgando durante… é muito bom estar entre tanta gente!!!! Fiquei surpresa com a disposição de todos… houve um companheirismo e uma sensação de triunfo no final… obrigada galeraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Acho então que o nome muda para… CO-LAPSO (batizado por Pedro!) Não é o máximo esse nome???

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6 Comentários Add your own

  • 1. Bárbara Pessoa  |  maio 2, 2010 às 11:58 pm

    Nome ideal!!!

    E as fotos?! 😉

    Responder
  • 2. Yaiá Reis  |  maio 4, 2010 às 1:21 am

    Também foi perfeita! Foi muito melhor do que as expectativas que criei!
    Pena que não posso participar de todas =/
    E era gente dizendo que era uma doença nova que fazia todo mundo cair..
    Outros dizendo que era o vento forte..
    Eu escutei tantas coisas, e tive tanto que segurar o riso!
    rsrs
    Foi muito bom!
    Parabéns equipe, pelo projeto!

    Responder
  • 3. Yaiá Reis  |  maio 4, 2010 às 1:22 am

    E é uaii.. tbm senti falta das fotos!

    Responder
  • 4. Leo França  |  maio 5, 2010 às 10:15 am

    Pensamentos de uma micro-multidão em performance:

    Para além do audio-visual

    “Mesmo que se planeje o registro, o acontecimento sempre escapa a ação de enquadrar.”

    Tecnologia da “Pa-ciência”

    “Se o lugar acordado foi o picolé, mas ninguém compra nada: nem côco, tamarindo ou tapioca e nem se quer aparece pra comprar a idéia… experimente uma cerveja.”

    Um corpo possível

    “Mesmo parado, na espera-escuta do ponto de ônibus, move em mim uma população em performance. Meu corpo é uma micro-multidão.”

    Novela da desgraça

    “O desabamento de uma pequena multidão numa situação corriqueira como atravesar a faixa de segurança gerou uma inflexão curiosa na vida de um transeunte: Que novela da desgraça!”

    Pequeno movimento

    “Se uma multidão está reunida em torno de uma mesma ação, os pequenos movimentos do cotidiano gritam.”

    Leo França

    Responder
  • 5. Leo França  |  maio 5, 2010 às 10:16 am

    Pensamentos tirados dando PSIU e entrando em CO-LAPSO

    Responder
  • 6. Soiane Lewáketù  |  maio 13, 2010 às 9:56 pm

    Gostei muito, estou ficando viciada em provocar/chocar as pessoas… cair na faixa de pedestre foi o máximo!!!! Faria outras vezes e tenho pensado em muitas outras intervenções possíveis que posso sugerir.

    VAMOS CAIR NA FAIXA DE NOVO????
    KKKKKKKK

    Líria, foi massa!!!! bom estar com voce nessa, beijão!!!!

    Responder

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